A escrita pornográfica é um discurso compensatório, reativo, que se nutre da inquietude gerada pela diferença sexual, com o homem confrontado com uma sexualidade feminina que ele não domina com suas categorias. Na pornografia, o homem constrói um uni verso onde tudo é feito a sua medida... Mas não podemos dissertar sobre a pornografia como dissertamos sobre qualquer outro tipo de paraliteratura. Como ignorar que o simples fato de sua existência é problemático para a sociedade? Nem é preciso invoc ar a autoridade de Freud para admitir que o laço social implica uma repressão da sexualidade, precisamente a repressão de que se alimenta a pornografia. Seria preciso imaginar uma transformação radical daquilo que se chama sociedade para que a pornog rafia perdesse todo valor transgressivo. Os debates sobre a proibição ou a restrição da pornografia nunca silenciaram, e os argumentos de seus adversários renovam-se constantemente. Para além dos problemas éticos suscitados pela difusão massiva da po rnografia, a experiência clínica e a história mostram que, em matéria de sexo, o amor e o ódio, o desejo e sua repressão trocam muito facilmente de lugares, quando não são indistinguíveis. A exaltação da liberdade sexual pode se transformar em seu co ntrário, sem sair da órbita da sexualidade que, por natureza, é capturada pelo interdito. Duas coisas são certas: a literatura não está mais no centro da produção pornográfica, e a produção pornográfica, que prosperou em um mundo dominado pelo mascul ino, evoluirá em função da maneira segundo a qual se definirão as relações entre os sexos.
Informações técnicas | |
Número de Páginas | 136 |
Ano de Publicação | 2010 |
Editora | PARABOLA |
Autor | DOMINIQUE MAINGUENEAU |
ISBN | 9788579340185 |
Comprimento (cm) | 23 |
Largura (cm) | 16 |