Durante décadas, a socióloga Maria Célia Paoli
(1942-2019) foi presença fundamental nas ciências sociais brasileiras. Sua
instigante e preciosa obra, referida a uma tradição de trabalho do pensamento
como forma de ação política, trata de temas e questões candentes e
fundantes da formação brasileira e do contexto político em que viveu e
apontavam, no seu fazer, a renovações teóricas e metodológicas nas formas
de leitura do país. Parte significativa desta inovação passa por uma leitura
crítica das encenações do país feita pela tradição do pensamento social
brasileiro, colocando no lugar um olhar nos sujeitos e suas formas de vida, no
seu fazer-se conflituoso, abrindo para novas encenações do país a partir de
sujeitos políticos plurais e heterogêneos. Em diálogo constante com as questões
e perguntas de seu tempo, o trabalho de Paoli oferece pistas importantes que
seguem contribuindo para a compreensão da formação social brasileira e das
questões das ciências humanas no tempo presente.
Neste momento, quando se completam quatro anos de seu falecimento, a Editora da Universidade Federal de S. Carlos lança a coleção Em busca da Política, publicação das Obras reunidas de Maria Célia Paoli. A partir de hoje, está disponível em pré-venda, nas versões impressa e digital, o volume 1: Sujeitos políticos na formação social brasileira. O livro conta com oito textos sobre dois dos focos da reflexão de Paoli: Formação social brasileira e seus sujeitos e Trabalhadores, sujeitos de direitos. O livro, cuidadosamente organizado e revisto por docentes que trabalharam diretamente com Paoli, como Joana Barros (Unifesp), Fábio Sanchez (UFSCar), Diego Azzi (UFABC) e Guilherme Nafalski, inaugura a sistematização e republicação das obras da socióloga. Há material de apoio como ensaios inéditos de João Carlos Cândido e José Sérgio Leite Lopes (Museu Nacional), dois de seus muitos interlocutores. O volume traz ainda um texto inédito de Paoli “República: história e historiografia”, transcrição de aula ministrada no fim da década de oitenta, que capta uma instantânea do pensamento da socióloga:
“Sobretudo, a realmente grande quebra que ocorreu é que emerge a noção de ator da história, noção de sujeitos da história, não o grande ator, mas a ideia de um ator múltiplo que vive inclusive temporalidades múltiplas que age realmente na história, não porque é portador de determinadas estruturas, ou de determinadas determinações. É porque tem um universo simbólico e conflitivo a partir do qual ele coletiviza, enfrenta e age”
https://edufscar.com.br/sujeitos-politicos-na-formacao-social-brasileira-503600205