Novo lançamento aborda a psicologia africana

A EdUFSCar está lançando o livro "Libertação, descolonização e africanização da psicologia: breve introdução à psicologia africana", de autoria de Simone Gibran Nogueira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A obra integra a coleção "África e Diáspora".

Em 13/09/2019 08:51

Entrevista por CCS UFSCar

Novo lançamento aborda a psicologia africana

A ideia da pesquisa que resultou no livro surgiu de experiências de internacionalização entre Brasil e Estados Unidos em Estudos Negros e Africanos nas áreas de Educação e Psicologia. Esse intercâmbio ocorre no escopo do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) da UFSCar, mais especificamente pela colaboração entre Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, docente aposentada e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSCar, e Joyce E. King, da Universidade do Estado da Geórgia, nos EUA. "Esse processo de internacionalização instigou e alimentou o desenvolvimento da minha pesquisa de doutorado em Psicologia Social. A tese intitulada 'Psicologia crítica africana e descolonização da vida na prática da capoeira angola' visou analisar e ressaltar a pertinência e a coerência de utilizar referências da psicologia africana para analisar a prática da capoeira angola e seus impactos na vida dos praticantes. E o livro apresenta os resultados dessa pesquisa", explica Nogueira.

A obra parte de uma perspectiva crítica sobre a produção de conhecimentos psicológicos. "Denuncia limitações eurocêntricas e o brancocêntricas que estão na origem das ciências psicológicas modernas e hegemônicas. Essa crítica é construída, principalmente, em um diálogo entre referências latino-americanas e africanas. Referências tanto da Psicologia da Libertação latino-americana quanto da psicologia africana apontam que as ciências psicológicas foram aquelas que mais favoreceram a colonização mental de todos os grupos sociais ocidentalizados, colonizadores e colonizados. A psicologia africana busca evidenciar como a ideologia da supremacia racial branca operacionaliza as relações sociais na sociedade hegemônica e impacta a intersubjetividade de todos, no entanto com consequências diferentes para cada um dos grupos sociais", detalha a autora.

O livro apresenta um breve panorama histórico, político e científico de raiz africana, destacando posturas políticas, resistências culturais e desdobramentos científicos nos Estados Unidos e no Brasil na área de Psicologia. Aborda também as bases filosóficas e epistemológicas da psicologia africana; descreve conceitos e processos filosóficos e psicológicos de raiz africana, que existiam antes da colonização europeia e holocausto negreiro, e que ainda são mantidos em práticas tradicionais do continente e da diáspora americana.

"Este livro tem o objetivo de chamar a atenção de profissionais preocupados com as relações étnico-raciais para a importância de conhecimentos e práticas de raiz africana, que são mantidos no cotidiano do País. Representa um convite e um desafio à psicologia brasileira para atentar às demandas próprias da população afrodescendente, bem como produzir conhecimentos mais coerentes e consistentes com as maneiras afro-brasileiras de lidar com os problemas da vida cotidiana. Sendo assim, este livro não constitui um fim, mas marca um começo, uma abertura num sentido mais plural, inclusivo e dialógico dentro da Psicologia Social brasileira", finaliza Nogueira.

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