Novo livro publicado pela EdUFSCar aborda tráfico de animais silvestres

A extinção de animais devido a ações humanas vem se repetindo em todo o mundo desde o século XVIII e continua real em pleno século XXI. Uma das causas do desaparecimento é a circulação irregular e o tráfico de animais em áreas silvestres.

Cadastrado em 13/09/2018 14:39

Entrevista por CCS UFSCar

Novo livro publicado pela EdUFSCar aborda tráfico de animais silvestres

Com o intuito de desenvolver uma abordagem antropológica sobre o tema, Felipe Ferreira Vander Velden, docente do Departamento de Ciências Sociais (DCSo) da UFSCar, realizou pesquisa que resultou na obra "Joias da Floresta - antropologia do tráfico de animais", publicada pela EdUFSCar.

"Aparecia bastante em notícias sobre tráfico de animais a ideia da prática e do hábito cultural, o que interessa ao campo da Antropologia. Eu já vinha trabalhando há algum tempo com questões de circulação de animais, tanto domésticos quanto silvestres. Disso surgiu a ideia de uma investigação antropológica do tráfico, sobretudo para investigar as razões de se relacionar o tráfico à questão cultural", explica Vander Velden. 

O estudo foi realizado em duas etapas. A primeira foi uma ampla revisão documental e bibliográfica sobre o assunto. A segunda foi uma pesquisa de campo em Rondônia, onde o autor desenvolve trabalhos desde 2002. Por sua vez, a ação em campo também foi dividida: uma parte na cidade de Porto Velho, por meio de entrevistas com pessoas que comercializam e realizam a circulação de animais silvestres; e outra parte entre os Karitiana, povo indígena de Língua Tupi-Arikém que habita a região.

Assim como a pesquisa, o livro é dividido em duas partes: a Parte I, intitulada "Da natureza ao mercado: animais como objetos em circulação", traz os capítulos "Animais em movimento", "O tráfico de animais silvestres", "O tráfico de animais silvestres no Brasil", "Rondônia, Porto Velho", "A natureza no quintal? Por que as pessoas capturam, compram, vendem e mantêm animais?" e "Afetos proibidos: a história do macaco Chico"; e a Parte II - "Dos delitos da pena" - apresenta os capítulos "Os índios, os animais e os tráficos", "Aves, penas e plumas, e seus apreciadores", "Da casa e do mato: os Karitiana e seus animais", "Não pode jogar! Como (não) usar o que não se deve descartar? Os Karitiana e a circulação de animais", "Incentivar e coibir: paradoxos em torno do artesanato indígena em Rondônia", "Dos delitos das penas" e "O animal como mercadoria".

Os estudos indicaram que, em Porto Velho, é comum que as pessoas tenham em casa animais da fauna silvestre. "Elas sabem que é ilegal, mas recusam a ideia de que são criminosas e justificam com uma série de práticas, como a ideia de enfeites (que é comum no Brasil), em que os animais enfeitam as casas e os quintais", descreve o autor. Há também, segundo ele, um conjunto de relações de parentesco tecidas entre as pessoas e esses animais, como aconteceu em São Carlos, no caso do Macaco Chico, abordado no livro. 

Na segunda parte, é relatada a posição dos Karitiana neste cenário. "Este povo indígena leva, com frequência, os animais quando vão para a cidade. Faz parte da renda deles o artesanato feito da plumária de animais, que é proibido, mas no argumento deles, é a melhor maneira do uso das penas, sendo que o material não pode ser descartado de qualquer maneira", aponta Vander Velden.

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antropologia Autoconhecimento trafico de animais

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